Livros para se conscientizar e que independem de feriado

Oi tudo bem? Já faz algum tempo que venho sentindo a necessidade de compartilhar com o mundo uma da minhas paixões que é a leitura. E por um motivo ou outro eu vinha sempre adiando e/ou criando desculpas para deixar para depois.

Então se você não deduziu ainda este post é o primeiro (do que eu espero que seja) uma série de posts sobre livros e minhas leituras.

E para começar esse projeto eu pensei em aproveitar o gancho do feriado e fazer um post  com dicas de livros que foram importantes para mim como mulher negra. São livros sobre negritude, empoderamento, pertencimento e “Oié, eu não sou a única que se sente assim!”. E depois que comecei a escrever o post reparei que são todos escritos por mulheres.

Mas se você não é negra (o) é um convite a ver o mundo pelo olhar do outro. Tenho certeza que várias fichas irão cair depois dessas leituras.

Omo-Oba – Histórias de Princesas – Vou começar com um infantil, fininho e de fácil leitura. E que fala direto a minha criança interior. Da escritora paulista Kiusam de Oliveira e com belíssimas ilustrações de Josias Marinho o livro traz sete contos da tradição oral iorubá e afro-brasileiras sobre meninas que viraram rainhas. É  um livro de empoderamento feminino e de pertencimento. Só quem cresceu sem nenhuma referência sabe a importância de um livro assim. A pesar de infantil ele é bom para qualquer idade.

omo oba

Quando me Descobri Negra – Outro livro curtinho. Da escritora Bianca Santana com ilustrações de Mateu Velasco. O livro traz relatos de racismo vividos pela própria autora e por outras mulheres e homens negros, que contam a história dessa sua autodescoberta. É real demais para ser uma leitura confortável. Porém, completamente necessária.

quando me descobri negra

Mom & Me & Mom – Da minha musa inspiradora Maya Angelou. Ah essa mulher! Que força, que luz!  Este livro é uma autobiografia e infelizmente ainda não foi traduzido para o português. Mas se você lê em inglês é a minha grande dica para a vida!!

mom eme e mom

Sim, com todas essas exclamações. Porque é assim que me sinto cada vez que falo dela. Quando criança Maya ficou anos sem falar uma só palavra por achar que sua voz foi a causa da morte do homem que a havia estuprado aos sete anos de idade. Mas depois que ela voltou a falar é como se uma represa tivesse sido posta a baixo e o rio não parou mais de fluir. Ela viveu sem barreiras, fez tudo o que seu coração desejou. Foi atriz, cantora, dançarina, escritora, professora, apresentadora e ativista dos direitos civis. Ela é a personificação do que é ser multipotencial. Do que é viver sem Mimi. O livro  aborda algumas situações de racismo e machismo vividos por ela. Mas o mais importante, ele fala como ela não se deixou limitar pelo que os outros pensavam e/ou diziam. É um verdadeiro tapa na cara para quem tem a tendência de se vitimizar.

Americanah –  O primeiro desta lista que “li” (na verdade escutei o audiobook) esse ano. Da autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, o romance é narrado pelos dois personagens principais Obinze e Ifemelu. Que contam a sua trajetória durante 15 anos, desde a escola onde se apaixonaram, o início da faculdade, passando pelos anos em que viveram separados. E como foi viver em outro país, ele na Inglaterra como imigrante ilegal. Ela nos Estados Unidos como bolsista de Princeton. Até o retorno deles para Nigéria e o seu reencontro. O livro levanta diversas vezes a questão do privilégio branco. E o que é privilégio e quem diz quem é privilegiado ou não. Acredite nem sempre é o que parece ser. Foi o primeiro livro dela que li, e amei a honestidade como a narrativa é construída.

Americanah

O Ódio Que Você Semeia –  Sério, eu li tanto sobre esse livro antes de comprá-lo. Vi tantos vídeos de booktubers. Que confesso que fiquei um pouco com medo de ler e não achar tudo isso, já que foi unânime as críticas positivas. E sim, ele é tudo isso e mais um pouco. O livro conta a história de Starr, uma menina de 16 anos que mora em um bairro pobre e que foi a única a testemunhar o assassinato de seu melhor amigo por um policial na saída de uma festa. Fato 1 – o amigo era negro. Fato 2 – ele morava em uma região da cidade esquecida pelas demais. Fato 3 – ele tinha envolvimento com o tráfico.  E isso é tudo que a sociedade precisava saber sobre ele, para culpa-lo pela própria morte. Alguém por aí já conhece essa história? Se você como eu é carioca já deve ter cansado de ter visto chamadas como esta no noticiário. E é aí que o sapato aperta. Quantas vezes você também só precisou saber destes fatos para aceitar que alguém era culpado. Sem saber do Fato 4 – ele não estava fazendo nada demais, a não ser, dando uma carona a uma amiga. Fato 5 – ele estava desarmado. E bem, daí para frente é só tiro, porrada e bomba na sua visão do que é certo e o que é errado.

o ódio que você semeia

Então, essas foram as minhas dicas. Espero ter te inspirado a ler pelo menos um deles. E você conhece alguns deste livros? Se sim, escreve aqui nos comentários o que você achou e como foi sua experiência de leitura.

E se você tiver alguma dica de livro nesta vibe, deixe também nos comentários que eu vou adorar saber.

Bjs, Inté

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